E eis que chega o momento da semana mais esperado pelos jovens no mundo inteiro. Tem gente que já havia calculado meticulosamente o que seria feito, outros, que nem eu, acabam aceitando por acaso um convite só pra não fazer nada.
Foi exatamente numa ressaca braba remanescente das festas natalinas, com a cara inchada de dormir num dia frio, tomando muito vento na sacada do Westfield, que aceitei ir ao Beach Road (que também é Beach Hotel, lembrar que o Reche me deve uma cerveja) no sábado à noite.
Volto pra casa, tomo banho, como a pizza mais apimentada da minha vida, tomo 50 litros de leite na esperança de recuperar alguma sensibilidade na boca, e realizo que já estou atrasada. Me arrumo em 3 minutos e meio, e sebo nas canelas pro ponto de ônibus (ai que saudade do meu carro), eu lindsay,
Chego ao ponto de encontro, e pra variar, apesar de achar que estou atrasada, ainda sou a terceira a chegar. Enquanto esperamos o resto da galera, passa um grupo de eslovacos por nós, carregando a mesma quantidade que seria possível levar num caminhão de Tooheys Extra Dry (cerveja saborosa que não deixa bêbado) e ficam lá na vã tentativa de nos levar para a festa deles. Até que chegam os marmanjos do nosso grupo, nós vamos prum lado e os eslovacos pro outro.
No caminho do Beach Road, em uma esquina, enquanto discutíamos para qual lado que era o negócio, um australiano com pinta de Syd Barret só que com o cabelo bem mais liso e maior, nos orientou eu deu cortesias de bebidas pra todas as hashas (AMO ser mulher), porque a banda dele ia tocar lá e etc..
Já lá no Beach Road, após apresentar my ID (porque todo mundo aqui acha que eu tenho 16 anos de idade), me entrego às bebidas sem pestanejar. Começa o show e... música maravilhosa, tocou tipo quase todas as minhas músicas preferidas, Come together dos Beatles, Breath do Pink Floy, Riders on The Storm do The Doors, tocou Led... enfim, eu daquele jeito, no meu mundo da música, viajando e muito satisfeita.
Começou assim minha noite, muito bem, mas aí depois de curtirmos o bo me velho Rock 'n Roll, alguém quis ir à um clube de tunts tun bater cabelo, eu disse que não ia e recebi vááários "deixa de ser miada" em n línguas e tive de ir, porque no caminho o Bruno achou 50 dólares e falou que ia pagar pra galera. Resumindo: tunts tun, ninguém aguentou muito e saímos. Vou eu esperançosa (NA CHUVA )pegar o último 380 da noite pra voltar pra casa, é quando o avisto do outro lado da avenida e saio, feito Forrest Gump, para alcançá-lo, alcanço-o, bato na lateral, grito plis plis plis inúmeras vezes, mas o motorista não me espera (só pra constar: eu fiquei), quando olho pro outro lado o Dávidê e a Pri se mijando de rir da situação.
Perdido o último ônibus, todo mundo molhado e com frio, vamos em busca de um local para comer, mas isso aqui não é Brasília, não é São Paulo, que agente encontra pizza e sanduíche a qualquer momento da madrugada. Tombamos com um grupo de australianos playboys enjoados, e um deles dá um tapa na bunda da Camil que fica indignada e decide pegar um táxi e ir pra casa. Todos os outros sobreviventes da noite decidem que são pobres e latinos (até os europeus ) demais para qualquer outra coisa que não caminhar até suas casas. Eu vou com a Pri pra casa dela (que fica a 24 Km da minha, 12 de onde estávamos), exaustiva caminhada, chegamos lá na surdina que se o hostparents dela pegam ela entrando com convidados é confusão na certa. Eu dei logo aquela apagada, roupa molhada, pé frio hahaha... Quando acordo meio zonza (6h15 da manhã) com as pisadas dos hostparents, grrrrrrrrr, aí demos um jeito deu sair me esquivando pelas sombras sem eles me verem. Tou na rua, cansada, ressaqueda, com sono, com fome, na chuva, de novo. Dia amanhecendo eu e os garis. Me dou conta que é domingo e que hoje tem poucos ônibus, vou conferir a timetable e vejo que meu ônibus só passa às 9h27 da manhã (CHORA ME LIGA, né?), aí decido tirar as últimas forças do meu útero e correr 5 km até onde eu tenho certeza que existe um ônibus às 7h17 da manhã, chego a tempo, pego o ônibus.
Já em casa... entro na ponta dos dedos, pra não acordar meu queridos velhinhos judeus, sinto a garganta apertar me indicando uma inflamação, arranco a roupa molhada, visto meu pijaminha, coloco minhas pantufas, preparo um Ovomaltine e vou para o único lugar da minha vida que nunca me desaponta: a cama. Coloco minha viseira e durmo 'compulsivamente' até hoje.
