domingo, 3 de janeiro de 2010

Isabella em busca de um teto forrado




É, já posso declarar estado de desespero total. Desde ontem que estou visitando, durante o dia inteiro, lugares  e mendigando um canto com um travesseiro para eu poder encostar a cabeça depois de um dia exaustivo de College. Mas aparecem empecilhos de todos os cantos, quando o lugar é bacana os dois meses que eu vou ficar não são suficientes para o contrato, ou quando alguém está disposto a aceitar o meu disponível tempo de estadia o carço no angu é gigante e a bizarrice descomedida. Eis minha saga:


#Sábado, 11h30 da manhã, Bronte
Saio de casa às 9, mais cedo que o necessário, porque como sou completamente perdida com direções, fiquei com medo de chegar atrasada ao encontro com o Hagit e já começar a maratona "diga não à Isabella homeless" pisando no abacate. Pois bem, não tive dificuldades em encontrar o lugar, e como tinha praticamente 2 horas até o horário marcado resolvi conhecer os arredores do que poderia ser minha futura moradia. Fiquei muito feliz ao ver que era próximo de tudo, inclusive da universidade e eu poderia economisar no bus ticket (e por falar nisso com a virada de ano o preço subiu pra 41 dólares, tou chorando até agora), fiquei tão feliz que fui à pé à Bronte Beach e gastei meus 6 dólares no famigerado suco de laranja do post abaixo.

Beleza, tou cheia de esperança e alegria, dá a hora e eu volto para Springfield (o nome do prédio), porque tava tudo maravilhoso e eu já pensando que poderia voltar por Brasil  zoando que morei 2 meses em Springfield bebendo cerveja com o Homer e etc.. mas ok, Isabella, deixa de ser mongolóide e termina a história. Enfim, chego lá e toco o interfone. Aí escuto aquele barulho apavorante de choque quando alguém abre a porta pra você, sabe? Não sei porque mas sempre fico desesperada com esse barulho achando que a pessoa vai parar de apertar o sinal e eu não vou conseguir abrir a porta a tempo, o que, de fato neste dia, aconteceu. Aí depois de uns 5 minutos tentando entender a dinâmica da porta e de comunicação com o choquinho da porta aparece uma das moradoras do edifício e abre a porta pra mim. Entro, e ela entra na suposta unidade que estou me candidatando para uma vaga. Daí ligo pro Hagit e descubro que ele na verdade é ela e que tá chegando em 2 minutos pra me mostrar o lugar, ok, quem sou eu para reclamar de alguma coisa. Enquanto hagit não chega eu fico ouvindo do lado de fora escutando as conversas de dentro da casa e tentando advinhar as nacionalidades das pessoas lá dentro e que assuntos bombadinhos elas tão discutindo. Nada descoberto, nada inetressante, a Hagit chega. Me mostra meu quarto que seria compartilhado com uma indiana, a cozinha, o banheiro não deu pra ver porque tinha um tailandês tomando banho. Na cozinha tá tudo uma bagunça porque uma indiana tá saindo de lá e tava empacotando as coisas dela. Aí sentamos para conversar e a Hagit me diz que gosta muito de meninas brasileiras porque elas geralmente tem uma noção boa de limpeza e organização e que ela preza muito por isso. Conversa vai, conversa vem, amenidades pra lá e pra cá, chega a indiana com quem eu dividiria o quarto, e aí a Hagit interrompe nossa conversa e inicia uma discussão épica com a menina, a indiana é pavio curto e já parte logo pra agressão verbal falando que paga mais se ela quiser que ela tá fazendo mau julgamento, e o motivo disso tudo era um ventilador que era pra tá na sala e foi para no quarto.... enquanto isso eu no cantinho, chorando, com medo de levar uma cadeirada acidental na cabeça e morrer sem um pingo de dignidade por causa de um ventilador que nem fui eu quem peguei. Depois disso trocamos algumas palavras e fim da primeira tentativa.



#Sábado, 18h30, minha querida casa que eu deixarei sábado que vem

Visitei mais alguns lugares mas nada de interessante ocorreu, só tudo muito pequeno, bagunçado e super-lotado. Apesar dos perigos passados na manhã de sábado eu mantive firme a chama da esperança dentro do meu coração e entrei na net pra procurar novos anúncios, mandei SMS pra sydney inteira e agendei um domingo inteiro de visitação.


#Domingo, 5h30, tou com insônia e chove em Sydney

#Domingo, 9h30, Old South Road
Novamente, saio mais cedo de casa. Passo em várias lojinhas no caminho em busca de um guarda chuva e descubro que ou ele vai resistir à uma brisa e custa 30 dólares, ou ele é feito de palito de dentes com guardanapo e custa 6 dólares e chegou à óbvia conclusão que continuarei tomando chuva até o final da minha viagem. Vou ao ap e descubro que são duas brasileiras que moram lá, até que o lugar é legal, mas elas ficam reticentes com o fato deu ficar só 2 meses, que elas não querem ficar com gente entrando e saindo o tempo todo de casa e etc, compreenssível. Esperança dando sinais de cansaço.

#Domingo, 12h30, Randwick
O encontro é às 14h30 mas eu chego mais cedo pra dar um rolé pelo bairro e ver o que que rola. Ao chegar no endereço combinado descubro  que o suposto AP é na verdade o segundo andar de um restaurante. Mas isso não me abalou, porque ano retrasado qdo fui pra BsAs e cheguei no endereço que eu tinha alugado eu já sentei na calçada e comecei a chorar que um travesti chamado Veronica tinha me enganado e roubado meu dinheiro pra eu ficar num lugar que nem existia porque era uma casa de tango, quando na verdade eu moraria em cima da casa de tango, o que acabou sendo um local muito bacana onde me diverti muito. Deu tempo de ver que tem vários lugares descolados nos arredores e de sentir meu bolso doer que eu não tenho dinheiro pra frequentar nenhum deles. Ah, achei também um perigo: uma livraria. Entrei e já impulsivamente coloquei 4 livros nos braços pra comprar (socorro, Guilherme) mas calculei o montante final do meu desejo e é aquela velha história "quem converte não se diverte" e, bem, não me diverti.   Dá o horário marcado e o cara atrasa mas chega. Então subimos para ver o local, chego lá: mau cheiro. Sapatos espalhados por todos os cantos, um caos, ele abre a porta do banheiro e tem sutião pendurado até na cordinha da descarga, na sala o sofá está sendo usado para secar roupas; chegamos ao meu quarto que atualmente está sendo ocupado por duas coreanas,  só uma delas estava lá. O quarto é bem grande, mas como o resto da casa, parecia que um furacão tinha passado por lá, quando olho pro lado vejo uma cômoda gigantesca com uma das gavetas abertas e ABARROTADA de absorventes, o que me fez refletir sobre como dever ser ficar menstruada na Coréia e concluir que eu devo para de reclamar da minha própria menstruação que é sanada com no máximo um pacote de absorventes. O cara disse que como eu ficarei só 2 meses ele cobrará um pouco mais caro, mas foi o único que se mostrou mais aberto a me aceitar, mas, na real, tudo que eu peço é higiene.

#Domingo, 19h30, minha casinha ;'( buááá
Depois de visitar mais um lugar e dispensar um outro por ser caro demais, reduzo meus padrões de qualidade e passo a mandar SMSs para anúncios do tipo "sou um australiano de 30 anos, de físico bem estruturado, procurando uma flatmate open minded que curta novidades..." e "somos um casal irlandês em busca de flatmates de fácil convívio para dividir uma cama....". E amanhã tenho 4 reuniões agendadas e  aglumas a serem confirmadas.  Então, Brasil, solicito good-vibes porque tudo que eu peço é um teto, limpeza, uma cama só pra mim, é um/uma flatmate que não tente me bolinar.

"I'm poor but I'm cleany".