segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tô de volta

Então é isso minha cara e apreciada meia dúzia de amigos-leitores deste blog diário, após esses dias sem notícias estou eu aqui para informar que continua viva, não tão saudável e bela, mas viva. Acontece que semana passada foram tantos fatos inéditos ocorridos que quando eu sentava pra escrever simplesmente ficava com preguiça do meu habitual prolixismo (na boa, tem posts que nem eu leria de tão grandes) e da necessidade de detalhar que simplesmente fui deixando passar. Mas hoje um dia de tédio e nada especial me levou à nobre conclusão que eu não deveria deixar esses últimos dias no ostracismo, dado que, tendo minha memória de peixinho dourado, quando/se eu voltasse pra casa e alguém me perguntasse se eu vivi algo excitante eu provavelmente falaria que não... e bem, no fim das contas, daqui a 137 anos (otimismo é o valor do momento) quando eu tiver netos e posso mostrar essa coisa fascinante e antiquada que é o diário do século 21. Posteridade, sacou?

Vamos aos fatos:

Fato #1 - As circunstâncias
Sábado passado, como o último post bêbado e retardado pode atestar, eu fui morar com a Pri, o Patrick (swiss german), o Daniel (argentinian), o Anis (french) e os hostparents mais avarentos da face da Terra. Esses amiguinhos significaram festa garantida a semana inteira. Os hostparents toda uma reavaliação dos meus conceitos de vida e como eu avaliava pouco a capacidade das pessoas amarem o dinheiro.

Fato #2 - O poker
Segunda-feira, empolgada com minha recém recuperada capacidade de me embebedar, aceitei o convite de ir à um poker/bebidas no flat dos Húngaros (Erwin e Bóri). Eu e mais 6 pessoas dividimos a grana pra comprar um galão de 5 litros de chop Heineken. Chegamos, abrimos o chop e concluo que 5 litros pra 7 pessoas significa NADA e sinto um pontada de tristeza no meu coração. Mas eis que começa o poker e, bem, todos pareceram absortos no jogo e é quando eu ponho em prática a matemática básica primária: "Bem, gastei 5 dólares pra entrar nesse jogo, paguei 6 dólares pela minha parte no chopp. O chopp tá esquentando e caído no esquecimento, esse jogo vai demorar a acabar. Um caneco de chopp nos pubs custa de 5 a 6 dólares. Ou seja, gastei aproximadamente o valor de 2 canecos de chop (canecos de chopp = minha nova taxa cambial ). Mas se os meninos tão tão absortos no jogo e o chopp esquentando..."
     -Bella, your turn. Check or rise?
     -All in.
     -WhaTheF*?!
     -All in.
     -But we didn't turn the flop yet.
     -All in.
     -She is bluffing...
Perdi. Ou melhor, ganhei. Bebi, na mais modesta avaliação, pelo menos, 3 litros de chopp heineken. Ou seja, em preto e branco:

gasto = 5 (entrada no poker) + 6 (parte na cerveja) = 11 dólares
em termos de volume = 3 000ml / (360 ml = capacidade aproximada do caneco ) = 8,333 canecos de chopp, mas como eu sou brasileira e generosa, além do fato verídico que tomei mais de 3 litros, façamos como eu gostaria que todos professor da UnB fizesse ao calcular as meções e arredondemos pra cima -> 9 canecos
lucro = (9 canecos * $5,5) - $11 = $38,5

na real, MELHOR INVESTIMENTO DA MINHA VIDA. E ainda tem o fato de que o Patrick ganhou o jogo e pagou táxi pra gente voltar pra casa, então pela primeira vez desde que eu cheguei em Sydney eu realmente me dei bem.

Fato #3 - a festa da escola

A verdade é que essa facul é cheia de gente bonita e deshcolada, e que a própria facul organiza eventos sociais tipo baladis pros alunos se divertirem. Então que ia rolar essa feshtenha, que eu não tava levando muita fé dado que todas as minhas experiências com festinhas organizadas pela escola no Brasil fora, no mínimo desapontantes, uma mistura de brigadeiro de latinha ao xom de xu-xu-xu-xá-xá-xá quando eu tinha sei lá, menos de uma década de existência, e isso ( Freud explica ) ficou no tatuado no meu conceito de festa escolar. Mas como eu não tinha nada a perder e era de graça, inclusive o transporte de ida, vamo que vamo bater a peruca.

Escolho um modelito ahasante, arrumo o cabelo, passo a maquiagem, confiro se tou fazendo o requisito, olho no espelho e penso "MAS Ô MULHER LINDA", e olho pros meus pés quando lembro que esqueci todos os meus sapatos na minha antiga casa e tudo que eu tinha era um par de havaianas e essas sandálias meio reggae-power-chegou-canoa que tavam na modinha brasileira... mas então eu pensei que nada pode ser completamente perfeito e decidi que meus sapatos seriam o ponto FRACO da noite... nem preciso dizer LEDO ENGANO né? Porque eu já tinha gastado minha sorte no dia anterior então é claro que a naitchy promete altas emoções.

Fato crucial para a desgraça de tudo: eu ter decidido não levar bolsa e, por estar usando veshtideeenho, não ter lugar para guardar coisas como dinheiro/chave de casa/ documentos, e ter decidido pedir ao Patrick guardar as coisas pra mim, já que, supostamente, voltaríamos todos que moramos juntos dividindo um táxi.

Então chegamos no ponto de encontro pra pegar o ônibus que a escola contratou pra levar a galeris. SUCESSO, ônibus já em clima de party all the time, jogo de luz, música poste pra pole dance, todo trabalhado no brega que eu nunca neguei trazer alegria pras minhas noites e concluo que a festa promete. É quando um promoter da festa entra no ônibus e distribui umas pulserinhas dizendo que a gente teria bebidas liberadas... PÀRAAAA TUDO BRASILLLLL, quem bem me conhece sabe que Isabella Pinheiro Tavares e gente liberando geral nas bebidas pra ela nunca prestou, mas meu sorriso foi de orelha  a orelha respaldando minhas expectativas.

Festa mára, gente mára, bebidas mára, música mára. Requebrei como nunca ao som de single ladys e fiquei bêbada o suficiente para flertar com o DJ até convencê-lo que house music era o fim e que música brasileira era a nova tendência e ele dizer que ia colocar um setlist todinho de música basileira só pra mim. Quando de repente pára o house e começa uma salsa alucinante, tipos, e a minha preguiça de ir lá explicar toda a dinâmica da música que salsa é latina mas não é brasileira, resolvi me jogar e dançar a melhor salsa da minha vida. O lugar tava tão cheio de gente dançando que nem no auge da lotação do galleria eu suei tanto como nesse dia, mas tava bebendo de graça, me divertindo horrores e tudo é feeeeesta.

Mas toda festa tem seu fim, e é tal que chega o fim desta. Então eu e a Pri vamos em busca do Patrick, não acho. Penso que posso ligar, mas, bem, não sei o número dele e muito menos tou com meu celular, a Pri tampouco. Achamos alguns amigos dele e pedimos pra eles ligarem mas Patrick simplesmente não atende o telefone. Então, balanço geral: sem lenço nem documento, sem dinheiro, sem energia, do outro lado da cidade precisando voltar pra casa e dormir pelo menos 2 horas e ir pra aula.

Como eu e a Pri fizemos pra sair dessa confusão? Bem, graças que temos amigos, então mendigamos os $7 da passagem de ônibus até Bondi Junction (uns 35 min a pé da nossa casa) e conseguimos pegar o ônibus da madrugada. Chegando à Bondi Junction surge a óbvia questão: como entraremos em casa? Não tinha alternativa, só pulando o portão. Caminhamos então até chegar em casa e é quando as coisasdeixam de beirar o ridículo e ultrapassam qualquer linha de dignidade que um ser humano pode manter.

De frente pro portão de casa, duas meninhas, bêbadas, em seus vestidinhos de festa querendo entrar em casa. Tento primeiro, fico descalça que com minha sandália natiruts-reggae-power-chegou minhas chances eram menos que nulas, pé esquerdo nesse vão, pé direito naquelo outro, mãozinhas firmes, um impulso, Pricila começa a rir e eu também, logo não consegui subir 30 cm acima do chão. Vez dela tentar, descalça, não fez nada muito diferente que eu visto que os ferrinhos do portão machucavam nossos pés. Então ponderamos e inferimos que talvez com o sapatinho dela seja mais fácil alcançar a proeza pretendida. Fato, ela conseguiu passar, agora minha vez... acontece que diferente dela eu não tenho mais de 1,70m de altura o que nesse caso faria toda a diferença quando se chega lá no topo do portão e você fica assim, perdida, sem saber como pular, onde por os pés, que você tá pendurada há alguns metros do chão, de vestido, na madrugada, no frio... mas aí eu pulo, dói um pouco, mas who cares, tou dentro. Questão 2, como entrar em casa? Decidimos então tentar a porta, mas lógico que não estava destrancada. Nesse caso só restava testar as janelas... eis que a janela do cretino do Patrick estava destrancada e então entramos por ela, na maior das cautelas para duas pessoas completamente bêbadas, visto que o Patrick é uma bee louca e escandalosa que, se acordasse, ia fazer um auê de acordar a casa inteira que culminaria na nossa expulsão visto que os nossos hostparents iriam morrer com o fato da possibilidade de termos estragado alguma parte da casa. Mas aí que eu me mudei pra casa há 3 dias apenas e não conhecia nada, e na escuridão, dentro do quarto do Patrick, não sabia onde ficava nada, fiquei perdida... nisso a Pri já tava quase no porão quando eu comecei a chorar baixinho pedindo pra ela voltar e me buscar, ela volta, dá  a mãozinha, e vou dando meus cuidados passinhos, mas falha total, tropeço na cama do Patrick e caio na cama... sorte que esse menino tava mais bêbado que a gente e podia desabar o teto na cabeça dele que ele num ia acordar. Então, SUCESSOOOOOOOO, chegamos vivas, relativamente integras, com um mínimo de dignidade e poderíamos tomar um banho, dormir e fingir saúde no outro dia.

Aí que aconteceu um acampamento de sexta a domingo que eu conto depois porque eu tenho certeza que esse post já tá gigantesco e eu tou com preguiça.